As Mandalas e a Criatividade
Hoje venho partilhar convosco a forma como as Mandalas nos podem conectar com o nosso impulso criador, com a criatividade inata que todo o ser humano possui. Enquanto inspiras e expiras és possuidor da capacidade de seres um autor, o autor da tua Vida.
Se o acto de viver é uma manifestação do movimento do universo biologicamente organizado e em permanente “criação actual”, a criatividade humana pode ser considerada como uma extensão dessas mesmas forças bio-cósmicas expressas através de cada um de nós. Nós somos a mensagem, a criatura e o criador ao mesmo tempo.
O artista é um indivíduo que tem a necessidade e a coragem de frutificar. Assim, a criatividade pode-se exercer numa conversa, numa dança, no acto sexual, na celebração do aniversário, tanto quanto nas formas mais elevadas da arte universal.

O acto de cozinhar ou de elaborar uma canção provém da mesma fonte genética. A assertividade, a percepção selectiva, a liberdade para induzir mudanças, a fluidez, que são características próprias do acto criador, são também atributos dos sistemas vivos.
O acto de escrever uma poesia ou de pintar um quadro é fisiológico tal como o acto de parir. A actividade criadora estimula a auto-regulação, possui um poder ansiolítico de regulação neurovegetativa e de homeostase. Além disso, os estados de exaltação criadora possuem efeitos ainda mais profundos de auto-organização, estimulando processos a nível celular e imunológico.
A vivência durante o acto criativo é tão intensa que o artista quando contempla a sua obra pensa que é incrível ser o seu autor. É como deixar crescer uma semente interior, florescer e dar frutos.
Assim vida, a humana pode assemelhar-se a uma árvore que surgindo de uma semente que se faz forte e fecunda, nutrida pela seiva imemorial do amor. Florescer e frutificar de forma tão generosa que seus ramos se despedaçam pelo peso dos seus frutos.
A função criativa é o impulso inato para expressar nossa superabundância. Ao desenhar Mandalas, há um desbloqueamento do traço e uma sabedoria intrínseca, começa a ter forma de expressão.
Foi assim comigo, Mandala a Mandala, resgato o instinto criador que me habita e dou asas à imaginação. A série o Unicórnio do Amor, que ilustra este artigo, traduz bem essa ligação entre o poder de aceder a esta riqueza interior, esta abundância de potenciais profundos, que existe em todas as pessoas. O artista é apenas aquele que tem a coragem de expressar suas potencialidades.
A vitalidade de um artista consiste em “sentir a vida”, conectar-se com o que está vivo, criar vida. Uma grande obra nasce da percepção intensificada do vínculo do artista com a vida.
Se queres contactar com o artista em ti, com o teu potencial criador, as Mandalas são sem dúvida uma das formas mais mágicas e fascinantes de o fazeres.
Um abraço, Teresa
Nota:
O unicórnio ou licorne é um ser mitológico descrito na mitologia grega e romana, representado por uma forma semelhante à de um cavalo com corpo de veado, possuindo um chifre único, espiralado e torcido na ponta da testa, simboliza pureza e força. Origem da palavra Unicórnio, junção de duas palavras do Latim: unus, que significa “único” e cornu, que quer dizer “chifre”, “um chifre”.

