Trabalho Real

A minha relação com o trabalho foi durante muito tempo uma relação de esforço, de cumprir o que era esperado de mim, ter um curso superior, trabalhar com afinco, determinação, dedicação, sacrifício, para obter o sucesso, o reconhecimento social, um sentido de valor próprio. E assim foi, fui bem-sucedida, progredi na carreira, fui qualificada como competente, séria e dedicada, obtive um bom rendimento.

Só que a dada altura o excesso de voluntarismo, a obsessão em ser considerada uma pessoa com a qual se pode contar, a preocupação em manter a imagem que eu sentia que era a que me cabia por obrigação de corresponder às expectativas estabelecidas para mim, levou-me a ir para além de todos os limites, com consequências na saúde física, emocional, mental e espiritual, ou seja, bem no sentido da origem latina da palavra trabalhar: *tripaliare, torturar com instrumento de tortura tripálio, de tripalis, que tem três estacas. Era isso que eu estava a fazer a mim própria, a torturar-me.

Encontrei-me de repente num lugar onde a minha identidade se fundia com a profissão, com a carreira, como se o Ser fosse só essa parte. E essa parte começou a ser um sacrifício, um lugar sem alma. E lentamente comecei a acordar desse sono e, a descobrir-me maior, mais do que só a profissão e, a olhar também para o que em mim me pedia mais prazer, mais alegria, mais leveza e um sentido maior de utilidade, de serviço.

E assim comecei a olhar para o Sacro – Ofício, a fazer do que faço, através do que sou, algo de sagrado, de profunda conexão com a minha Alma. E de repente deixei que aquilo que era periférico, a arte, as Mandalas, o ser presente para o outro, a escuta, o respeito profundo pelos seres, a atenção ao legado que ficará depois de eu partir desta encarnação, tomassem o palco principal da minha vida.

E hoje faço sendo, e há em mim uma alegria que não se traduz por palavras, uma sensação de plenitude, uma ligação a algo que me transcende, que vai para além das formas, a quem gosto de chamar o Grande Arquitecto, com quem vou conversando, intuindo, deixando acontecer o Plano que Ele tem para mim.

As Mandalas são uma das formas que uso para me conectar com o sentido maior da minha vida, da minha vida como uma obra, que só eu posso fazer, através de quem sou, como instrumento dele. Por isso, hoje chamo ao meu Trabalho – Trabalho Real, um Trabalho que está sob a alçada da rainha, da minha Alma, astrologicamente do meu Sol em Touro na casa 6, a casa se Virgem, é por isso também de Serviço no Real, neste plano de formas, de polaridades, de tensões permanentes, que levam cada um de nós a superar-se, a encontra-se cada vez mais no lugar do centro, sinto-me realizada de cada vez, que um Ser Humano, expande a sua consciência e se torna mais amoroso, mais gentil consigo próprio e com os outros.

Se queres explorar este tema de seres fazendo, de encontrares prazer, amor, alegria naquilo que fazes, estou aqui para te acompanhar nesse belo processo.

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