Iluminação

O ser humano erecto é o eixo que liga a terra ao céu. Os pés, são as raízes que nos prendem à terra escura e dela retiram o nosso sustento. A cabeça ergue-se ao alto, ao lúcido céu, sede do pensamento, do movimento e de toda acção.

 

À medida que conectamos essas duas energias, articulamos esses dois mundos – espírito e matéria. Duas energias complementares – indispensáveis uma à outra – que ao serem integradas, recriam o mundo.

 

Há em mim, como em quase todos os seres humanos uma procura da vivência do Numinoso, desse estado de vivência do sagrado, transcendental, divino. Desse Imago Dei, Imagem de Deus em mim, dessa experiência da Iluminação.

 

Ao longo da minha vida tenho tido algumas dessas experiências de que o teólogo protestante e filosofo, Rudolf Otto (1869-1937) fala no seu livro – O Sagrado (Das Heilige), onde ele destaca a diferença entre aprender o que é sagrado e vivenciar o sagrado na nossa vida. Uma coisa é conhecer o sagrado, outra é experimentá-lo.

 

Fala também de numinosidade, que é uma forma de expressar as experiências nas nossas vidas, em que sentimos estarmos mais próximos do que é divino. Quando presenciamos as situações numinosas, mesmo por um lapso de micros segundos, sentimos algo de divino na ocasião.

 

Situações como, uma interligação de acontecimentos, dos quais, percebemos uma perfeição na sucessão dos factos; um encontro ao acaso com alguém em quem se estava a pensar; uma oração com fé em que se sente uma ”presença do espirito”; ou então, o exemplo mais numinoso, que é o do sentimento do amor.

 

Carl Jung percebeu que a disponibilidade prévia para confiar num poder transcendente é uma condição prévia para a experiência do numinoso. O numinoso não pode ser conquistado, não é um exercício de vontade, o indivíduo pode somente abrir-se a ele.

 

A energia numinosa dá-nos acesso a um sentimento de intimidade, ao amor sem fronteiras e à criação como revelação da beleza e do mistério e, é isso que por vezes nos acontece quando criamos as nossas Mandalas.

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